sábado, 4 de agosto de 2012

Talvez um drama

         
           
                           

Pode parecer drama. Ou talvez seja um grande drama mesmo. De pequeno mesmo só esse meu coração que se aperta a ponto de quase sumir do meu sentido. E sem sentido eu é quem estou. É que acontece assim quando o amor nos foge, nos deixa. E pareço-me como uma qualquer abandonada dramática que chora cada lagrima como se fosse uma pequena parte de lembrança sobrada: e talvez seja. E chorar não é, de fato, o que me faz sofrer. Chorar é apenas uma maneira de colocar tudo para fora na esperança de que, com o sol do dia lá fora, elas sequem e leve consigo tudo isso que traça essa linha infinita em meu rosto antes de tocar ao chão. E que deixe apenas me escapar um sorriso, isso eu peço. Deixe-me apenas sorrir e não me importa se irei sorrir sozinha da minha própria piada: Deixe-me sorrir. E disso eu esperava que as lembranças fossem feitas: sorrisos. Ou senão, que elas me fizessem sorrir ao invés de me deixar assim, como se estivesse sentindo a maior fome do mundo. E eu só sinto vontade de me alimentar do que me falta agora: Amor. E não é drama. Não me veja como uma dramática cabisbaixa. Ou até me veja. Mas não pense que por estar assim, de cabeça baixa, meus olhos não possam ver, não possam ir longe e enxergar além do que você acha que eu não possa ver, imagens de um cinema, como se fosse o filme que rodava e deixava a sala à meia-luz, e quando tudo era apenas sorriso uma pequena caixa, em tom de lilás claro, foi aberta e dela a felicidade surgiu em forma de elo, argola, aliança, pedido... Meus olhos ainda enxergam tão bem quanto a meia-luz dessa sala. E hoje tudo que tenho é um grande drama. Hoje é tudo que resta entre alma e coração partido. Hoje sou o tão amor que não espera. Amor que esta tão longe de ti que foge ao alcance de seus olhos. Amor que grita e diz: Não me queira tão longe dos teus braços quanto estou dos seus olhos. E esse amor não é drama, dramático: é amor verdadeiro. Amor que chora, que quebra.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Toda essa minha mania em ser monotonia.


Hoje me fiz monotonia ambulante – que vaga meio tão sem rumo quanto o vento. E me encontrei em tamanha solidão que cheguei a sentir a mesma tocando-me o rosto e aparando um resto de felicidade escorrida feito lágrima. Monotonia e felicidade não andam juntas, e eu sei bem sobre isso. Mas por alguns instantes me fiz ingênua e escrevi um pequeno verso daqueles que não te mostro. E esse meu pequeno verso, tão mais amor quanto os outros, só me deixa olhar para trás e entender que os dias tendem a ser iguais – e não importa a cor dos carros que passam, o lado da rua que ando na volta para casa, a arvore cortada na rua onde caminho pra um lugar qualquer. Sou monotonia. Talvez nada mais. E me fiz hoje tão monotonia-pura que lembrei dos nossos sorrisos cruzados que chegam a parecer retrato preto-e-branco – e nada mais tão cheio de vida que retratos para lembrar o quanto se pode amar tão verdadeiramente em dias com o mesmo sol, mas com sua luz que reflete nos seus olhos tons diferentes. E amar é nada mais que monotonia. É querer sempre o mesmo abraço, o mesmo calor, o mesmo sorriso, a mesma mão suada, o mesmo perfume, o mesmo querer e o mesmo cheiro de cigarro que já até me parece necessário. E que eu seja franca comigo mesma, sou tão monótona que até a cor da minha roupa já não é mais surpresa para você. E o bom em ser toda essa monotonia ? Meu amor jamais será qualquer coisa que não seja amor e não será nada que você não saiba – por não ser, todos os dias, nada mais que amor e se bastar em ser só isso.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Youth.


Eu gosto de pensar que sempre vou me deparar com uma estranha no espelho.
É uma estranha, eu gosto de descobrir minhas várias faces, meus vários jeitos, minha inconstância, a luz um tanto apagada em meus olhos, meu cabelo de corte diferente, sentimentos contraditórios, transição. Sinto-me tão bem com isto, com essa facilidade de se adaptar as minhas próprias mudanças. É como misturar minha música clássica preferida com aquele hardcore que eu ouço enquanto caminho para o futuro, tenho extremos dentro de mim, abismos feitos de emoções que nem eu mesma consigo distinguir, sei que essa inconstância não é vista como virtude para muitos. Mas acho que não sou do tipo que se encaixa nessa categoria.  Ainda sou jovem e as espinhas em meu rosto não me deixam negar, mas as experiências que obtive me tornaram o que sou, essa multidão incômoda de sensações que se alastram no meu peito, me ajudou na construção de meu caráter. Sim, sou jovem mais sei muito bem o que eu quero.  Posso ainda estar um pouco perdida em meus caminhos, com problemas a vista, mas isso é ser jovem, não é ? Se descobrir, errar, aprender e errar de novo. Nós temos tempo para corrigir tudo isso, temos tempo para voltar, se arrepender, recomeçar. Ainda acho que cada manhã é um recomeço, uma nova chance de abrir os olhos e decidir qual será o rumo da sua vida, o que você fará para mudar, como irá perseguir seus sonhos... Para mim tudo se resume nisso. Na disparidade, no amor, na saudade, na nostalgia, na esperança, na vida. Estamos vivos e isso é tudo que importa, buscando por mudança, por renovação, por que juventude e vitalidade estão além da carne e sim no espírito, na essência, E enquanto se tem isso, se tem tudo.

sábado, 25 de junho de 2011

Feliz pra pensar .


 As vezes o que me desanima não me deixa pensar, mas hoje, especialmente hoje, o que me desanima, não consegue mais me desanimar, um tempo feio, céu acinzentado, me mostra, que em tudo pode haver alguma alegria, é só querer, e procurar, e não se preocupar, perdi meus pensamentos negativos, e nem quero achar-los, está tudo super tranqüilo, acho que mudanças não estão me abalando tanto assim, acho que tudo pode se redescobrir, não digo descobrir, por que tudo continua sendo uma cópia de certa forma, todo o pensamento, tudo é fruto de algum pensamento, e digamos que eles só evoluem. As vezes tento voltar as raízes, e pensar mais na vida no lado bom, talvez usar da imaginação, resgatar coisas boas em pessoas boas, sentimentos livres, é tão bom sentir-se livre de tudo e de todos, presa só a mim, do começo ao fim, tudo precisaria girar em torno de uma idéia, mas nem disso agora eu preciso, é simples, é sutil é suave. A felicidade, gira em torno de algo simples, na verdade o fato é que é mais fácil ser feliz do que triste, quando se está feliz, tudo está bom, e não há com o que se preocupar, nem mesmo com a chuva ou os trovões, é tudo normal, já se sabe que vai passar, e pra que complicar, pensar no que pode acontecer, é claro que tudo desperta uma certa curiosidade, “um gelinho nas costas”. O mais interessante é que quando se sente aquela vontade de sumir, acho que nem em marte, eu me sentiria bem, até de marte eu iria querer sumir, mas quando se está tudo bem, até o mesmo lugar de 15 anos atrás me faz bem, é, é estranho. Porém quando se está feliz até o mais estranho é normal, por que se está feliz, e literalmente foda-se tudo, assim uma coisa vai levando a outra, ai eu me pergunto, por que uma coisa que possa levar a felicidade de alguém, acaba se tornando o encomodo dos outros, será que isso acaba trazendo felicidade para alguém, ou é só inveja, “Tô nem ai se estou falando besteira, estou feliz”.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Uma doente e sua flor.


Admito, estou doente. Hoje sinto como se meu coração doesse ao ver o amor como esse produto que esta sendo comercializado. E é por isso que admito: estou doente ! É que encontrar o amor nessa formula nova não me parece tão aceitável. Na verdade, não se aceita o amor, afinal, ele não pede licença ao chegar. Fato é que estou doente e sinto meu corpo gritar isso todos os dias ao acordar. Sinto também saudade, que hoje em dia é sentimento antiquado, antigo, velho, passado. Hoje as pessoas não sentem e se sentem fazem questão de omitir, mentir. Tudo para não ter que explicar, como se fossem poeta amante ou com olhar de criança que pede, o som do coração que acelera em uma noite fria de Inverno-recém-chegado por ouvir sair da própria boca a palavra que decifra e cria segredos. É que da mesma forma que o amor não pede licença para chegar também não se importa ao sair transformado em um leve som-timbrado-de-boca. E é assim que sou doente. É por eu estar doente que meu amor não gosta do frio e pede para ser aquecido em uma dessas noites que até minha janela embaçada parece chorar sua ausência junto das quatro paredes. E eu estou doente. Tão doente que chego a pensar no Inverno como estação meio-eterna: o que me parece loucura. E tão doente já estou que tenho plena certeza que vivo por respirar o ar exalado da minha mais bela flor. Flor essa que não se vai com a volta do Calor e nada muda com o frio do inverno. Flor essa que mais parece tarde de verão e que tem um toque de primavera. E me parece muito justo eu ser uma doente e cuidar de uma flor em qualquer estação que venha. Imagine, o que seria dessa doente se não tivesse o perfume dela ? Pior, o que seria dessa doente se não amasse a bela ?

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O que me restou.


 A janela aberta revela fotografias cinzentas, os pensamentos em fumaça sobem até o telhado, os morcegos voltam ao seu covil, a noite se despede e dar lugar a enfadonha manhã, com seu sorriso plástico. A cama é meu imã e me suga a vontade, fico ali magnetizada pelo ócio, em um sedentarismo hipnótico. e o sono a muito tempo se ajoelhou diante das idéias nocivas. Eu esfrego a minha ignorância supletiva na cara de todos. por que ?, porque eu sei aonde vamos parar, mas é melhor se fazer cega e ignorar o óbvio. Minha falácia é tediosa pra sua cultura ? no seu cu(lto) arsenal de meias verdades, existe uma completa mentira. tão inteira, assim como eu, como você ! vazia, como balão em fim de festa. Hoje, sou como essas crianças que destroçam brinquedos, que ficam nos cantos, encolhidas na parede esperando a hora de cuspir insultos, aguardando a hora de correr chutando tudo. Eu tentei aprender a nadar, mas tem gente que quer te afogar em porra. Eu nunca gostei de números, eles sempre foram excludentes e falsos. as únicas notas que me importaram eram musicais, até que um dia aprendi que elas não valiam nada também. Cavei covas pra todos os meus sonhos, pra tudo que acreditava e amava, e vocês me entregaram a pá. Cavei fundo e nunca parei, mas ainda olho lá pra cima e vejo o que quero. Todas as linhas me fazem algum sentido ? eu me identifico ? claro que não ! eu quero minha dor representada por palavras alheias. Eu não vou mais me importar, assim como você também não dá a minima . A vida é cruel, e eu não tenho uma boa história pra você, mas tenho um amor engatilhado. E passo a noite rodando o tambor e apertando o gatilho, estourando minha cabeça nesse mundo perdido, só temos uma bala mas ela é suficiente. Minha roleta russa vai seguindo em frente, mas olho pra tudo que me arruinaram, o que me restou foi o meu lamento que não vale porra nenhuma.

domingo, 15 de maio de 2011

Versos em linha torta dançam ao ritmo do nada

                


 Enterre o amanhã em longas divagações, cruze os braços, se entregue as sensações e faça da sarjeta seu divã. Enquanto o mundo gira eu continuo deslocada e tonta. meus lábios selados, afogam amores imaginários, seguindo um ritmo torto, encharcada na rotina, lançando desejos no poço. O fundo me olha e o meu sorriso é tão vazio, preso a uma bolha, me sugam o tempo, e cada segundo me faz parasita. Melancolia e morfina anestesiam as dores e as chagas estáticas permanecem constantes, amenizam o flagelo com o gelo da indiferença. meu caminhar erroneo, dopado e senil se encontra em um turbilhão de sabores desgostosos, onde existe uma escada pro abismo e eu desço o corrimão e encaro um destino vil revelando meus dias nublados. Anoitecendo desejos, estão os limites, aqueles que escolheram por mim. Os grilhões e a falsa liberdade que me empurraram numa liquidação, aquilo que me põe a mercê de joelhos em estalactites. O teto se revela meu novo chão, escravizada pelo topo, a perda me condena, pois a função era vencer. Quem se priva das derrotas, só ganha as sobras das glórias. Não existem motivos pra percorrer a reta final, quando se esteve sempre em primeiro lugar. Muitos caminham cabisbaixos, mas quem está no pódio precisa olhar pro chão, para enxergar o reflexo que a escória lhe reflete, e o tombo sempre é maior quando se está no primeiro lugar. Perder e ganhar congelam o placar, as tentativas fazem a partida rolar. Competir não é importante,  fazer está além dos resultados. Apenas faço o que nunca poderão fazer por mim, mesmo que seja tudo em vão, ou talvez nem exista mais motivação, quem sabe reste alguma pro gatilho. Mas hoje deixe sangrar e procure uma justificativa , enquanto tento bolar a minha !