quinta-feira, 19 de maio de 2011

O que me restou.


 A janela aberta revela fotografias cinzentas, os pensamentos em fumaça sobem até o telhado, os morcegos voltam ao seu covil, a noite se despede e dar lugar a enfadonha manhã, com seu sorriso plástico. A cama é meu imã e me suga a vontade, fico ali magnetizada pelo ócio, em um sedentarismo hipnótico. e o sono a muito tempo se ajoelhou diante das idéias nocivas. Eu esfrego a minha ignorância supletiva na cara de todos. por que ?, porque eu sei aonde vamos parar, mas é melhor se fazer cega e ignorar o óbvio. Minha falácia é tediosa pra sua cultura ? no seu cu(lto) arsenal de meias verdades, existe uma completa mentira. tão inteira, assim como eu, como você ! vazia, como balão em fim de festa. Hoje, sou como essas crianças que destroçam brinquedos, que ficam nos cantos, encolhidas na parede esperando a hora de cuspir insultos, aguardando a hora de correr chutando tudo. Eu tentei aprender a nadar, mas tem gente que quer te afogar em porra. Eu nunca gostei de números, eles sempre foram excludentes e falsos. as únicas notas que me importaram eram musicais, até que um dia aprendi que elas não valiam nada também. Cavei covas pra todos os meus sonhos, pra tudo que acreditava e amava, e vocês me entregaram a pá. Cavei fundo e nunca parei, mas ainda olho lá pra cima e vejo o que quero. Todas as linhas me fazem algum sentido ? eu me identifico ? claro que não ! eu quero minha dor representada por palavras alheias. Eu não vou mais me importar, assim como você também não dá a minima . A vida é cruel, e eu não tenho uma boa história pra você, mas tenho um amor engatilhado. E passo a noite rodando o tambor e apertando o gatilho, estourando minha cabeça nesse mundo perdido, só temos uma bala mas ela é suficiente. Minha roleta russa vai seguindo em frente, mas olho pra tudo que me arruinaram, o que me restou foi o meu lamento que não vale porra nenhuma.

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